Jogando pro povo


Bom, depois de um longo e tenebroso inverno, estou reativando esse blog.

Tive que escolher entre continuar escrevendo ou investir mais tempo na minha carreira e vida pessoal. É claro que não hesitei em escolher a segunda opção.

Nesse tempo acabei me afastando dos esportes, depois ensaiei uma reaproximação….e agora posso dizer que, se não sou mais tão ávido em acompanhar todos os eventos possíveis, continuo acompanhando na medida do possível aquilo que mais me interessa.

Vale lembrar, pra quem não lia o blog, que esse espaço aqui está aberto a sua opinião, mas quem escreve os artigos sou eu, obviamente. Portanto nada de palavras de baixo calão ou discussões infantis, no melhor estilo “Jogo Aberto”. Aqui é assim: eu jogo uma ideia e, se for de seu interesse, você expõe a sua, baseada nos seus argumentos. Pronto.

Sejam bem vindos de volta!

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Jogando pro povão

Quanta ironia. Há pouco mais de uma década, Luiz Felipe Scolari era esculachado pelo tal “povão”, chamado de burro, fracassado, idiota e outras palavras de menor calão, sempre com a ajuda da tão idônea imprensa.

Tudo isso por que o Brasil não tinha o gênio Romário no ataque. E pela humilhante eliminação para a fraquíssima Honduras numa Copa América.

Quem diria que ele retornaria a seleção, 10 anos e 1 título mundial depois, no que os jornalistas mais exaltados chamam de “braços do povo”.

Povo esse que precisa ser melhor definido né. Assim como a tal opinião pública. Objetos abstratos, que ganham definição de acordo com a necessidade e a conveniência do momento e de quem assim os nomeia.

Afinal, essa aprovação em massa pelo retorno de Felipão é baseada, única e exclusivamente, no título mundial de 2002.

Minha escolha não teria levado em conta o apelo populista, algo que o atual Presidente da CBF parece querer ter do seu lado. Afinal, Felipão teve um período considerável a frente do Palmeiras e o fruto de seu trabalho foi o rebaixamento da equipe pra Série B.

E não me venham com Copa do Brasil. Essa foi a edição mais medíocre que o torneio já teve.

A favor de Felipão joga justamente o fato da Copa do Mundo (e das Confederações) ser de mata mata. Porque a fase de grupos, convenhamos, é pra inglês ver. Temos que lembrar que ele sempre foi um treinador excepcional em mata matas. E também a coincidência de termos um grupo apenas mediano, assim como no Oriente.

Contra Felipão vem toda essa ideia de “uma nova família Scolari” e a ausência de jogadores prontos pra assumir a responsabilidade numa Copa do Mundo. Nesse ponto esse grupo difere de 2002. Lá nós tínhamos 2 gênios, Ronaldo e Rivaldo. O jovem da época, um tal de Ronaldinho Gaúcho, não era o responsável por armar, marcar gols e ainda fazer o merchan da seleção. Pra 2014 nós não temos nenhum gênio pronto.

Fora a pressão de jogar em casa. Conhecendo o público brasileiro, que odeia futebol mas adora vencer pela festa, se chegarmos aos 10 minutos de qualquer jogo sem marcar, logo estaremos sob vaias e gritos de “fulano”.

E espero, sinceramente, que essa superexposição do monstrengo Neymar (com todo aquele carisma que me encanta), não prejudique o garoto até lá.

Gosto de Felipão, muito pelo que ele fez em 2002. Mas não o escolheria pra ser treinador da seleção. Meu critério iria muito além de agradar o povo.E o bom é que temos uma Copa das Confederações logo logo. Não iremos ficar no achismo por muito tempo, algo que também é prejudicial.

Agora pode ser que dê certo, assim como em 2002. É esperar pra ver.

2 thoughts on “Jogando pro povo

  1. Bom retorno Renan, que tudo esteja bem com você e sua família!

    O Felipão como técnico da Seleção e Parreira como coordenador, bate com a opinião do João Havelange (ex- sogro do Ricardo Teixeira), em uma entrevista publicada pelo UOL há alguns semanas atrás. Não acho a melhor dupla no sentido de renovação e modernização, mas para um momento emergencial é compreensível, ainda que o Brasil continue vivendo de correria e soluções de última hora sempre.

    Mano ajudou a aumentar o marasmo em relação à Seleção pelo mau futebol na maior parte de sua gestão, mas quando o time começava a ganhar cara de time ele é mandado embora. Acho que o momento será de Felipão pois, politicamente, a presença dele seria melhor para “agregar o povo” ao time (lembrando que o Marin é político veterano). O Tite seria um troca, para a maioria do povo, que não mudaria tanto, significaria que os paulistas (e o Corinthians) mandam na CBF, o que ficou meio difícil de disfarçar com a reunião sendo feita na sede da FPF. Porém, se não ligarem muito para isso, o Adenor pode ser o nome, e talvez estejam esperando Janeiro para isso. Acho ele um bom treinador, mas pelo meio do trabalho, eu tentaria ainda com o Felipão. Engraçado como Muricy era a solução há um ano e meio, mas a derrota para o Barcelona diminuiu muito o entusiasmo pelo seu nome.

    Acho impossível o Guardiola assumir a seleção brasileira agora; a empáfia de miutos brasileiros, que acham ainda que só aqui se joga um grande futebol não permitiria isso, ainda mais no meio do caminho para uma Copa jogada por aqui. Para 2018 pode, quem sabe, ser alguma opção, mas para o momento atual sem chance. Eu às vezes também fico me perguntando se o treinador espanhol deveria ser visto atuando em outra equipe para vermos sua real capacidade, antes de convocá-lo para ser técnico do Brasil, mas não deixaria de ser interessante vê-lo por aqui.

    O Ney Franco tem mostrado qualidades, com o time do SP mais bem arrumado na defesa do que era antes, mas tem mostrado um defeito grave, que é de mexer muito mal no time, tem sido assim no SP; o nome dele é para o futuro apenas.

  2. Boa volta, caro.
    Concordo sobre essa figura nebulosa e desforme que volta e meia é chamada de povo. Sempre as mesmas figuras falando em nome do povo, defendendo o povo, representando o povo… Preciso descobrir se eu sou POVO ou estou de fora da lista.

    Mas a nossa imprensa e os treineiros andam cada dia mais provincianos. Estou meio como o Alexandre, gostaria de ver algo meio diferente, talvez o Guardiola. Ainda que ele não seja esse Einsten todo que dizem. Mas é uma visão diferente de futebol. Melhor que esses nomes que sempre são lembrados, de acordo com a classificação dos últimos campeonatos.
    Aquele teu “amigo”, alguns meses atrás, disse que um certo técnico estava numa BOA FASE. Já basta um monte de jogadores vivendo fases, agora temos também os técnicos!! É dose, viu. Mas o que seria um técnico em boa fase? É quando o time dele ganha uns 6 jogos seguidos??

    PS: boa fase pra você😛

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