Who are you?


Muito me espanta todo esse “furdunço” ( :D) em torno do suposto racismo de Luis Suarez. E agora que ele recusou apertar as mãos de Evra, o negócio tornou proporções estratosféricas.

Acho o racismo algo baixo, estúpido e digno de punição. Sou completamente a favor da punição que Suarez tomou. E cumpriu.

O que sou contra é alguém ser acusado sem provas. Ou mesmo sem direito a defesa. Mas isso não é assunto para agora.

Algo me deixa curioso é a reação dos defensores da moralidade, amor e da paz mundial, que sempre aparecem para defender os “frascos de comprimidos” da nossa sociedade, sejam negros, gays ou mulheres.

Na Inglaterra já há jornalistas querendo que o Liverpool venda Suarez. Ferguson disse que o jogador é uma desgraça para o Liverpool. Tablóides fizeram a festa com a imagem de Suarez recusando o aperto de mão do uruguaio. Até a BBC publicou artigos imensos sobre o quão baixo foi o gesto do baixinho dentuço.

Isso sem contar as consequências que o caso tomou na esfera dos torcedores. O Liverpool passou a ser visto como um clube racista dentro da Inglaterra pelos atos de alguns torcedores, que após a polêmica punição de 8 jogos que o Suarez foi obrigado a cumprir, passaram a imitar macacos e vaiar negros de outros times.

Vou dividir meu ponto de vista em alguns tópicos:

O racismo

Já disse isso aqui: o racismo no futebol é apenas um reflexo do quão racista a sociedade mundial é hoje. Não importa se falamos de negros, judeus, mulheres, árabes ou homossexuais. Há racismo em todos os lugares e as sociedades onde ele está mais presente são justamente nos países mais desenvolvidos.

E o racismo contra estrangeiros (xenofobia) também está presente no futebol.

Não adianta fazer campanhas bonitinhas, exibir faixas e fazer discursos vazios. A FIFA e as Confederações são complacentes com o racismo pelo simples fato de que, se elas tomarem medidas duras, algumas seleções e clubes seriam punidos eternamente.

Veja o caso complicado dos clubes do leste europeu, onde o racismo contra negros é comum e grave. Qual a punição? Multas, punições de estádios vazios, perdas de mando e nada mais.

O mesmo vale para os jogadores. A punição de Suarez foi de 8 jogos. Ele a cumpriu. Pronto.

Isso o mudou como pessoa? Não, definitivamente não. Assim como os torcedores e clubes punidos por atos de racismo não são educados com esse tipo de punição.

A questão é muito mais profunda.

Burrice e infantilidade

Duas características de Suarez. Burro e infantil. A maioria de suas polêmicas surge por que ele tem um psicológico fraco. Ele já até mordeu um adversário!

A cultura e o caso Evra

Alo que foi dito a favor de Suarez foi o fato que no Uruguai chamar um companheiro de “negrito” não é uma ofensa. Inclusive na própria seleção uruguaia os jogadores negros são chamados de negritos pelos companheiros.

A questão é que ninguém ouviu o que Suarez disse a Evra. Nem se houve um cunho racista na fala do jogador. É provável que sim, dado o histórico do jogador. Mas julgamentos não são feitos com base em suposições. São feitos com base em fatos.

Muito foi falado e pouco foi esclarecido. A punição foi grande e incomum para os padrões ingleses. E acrescente o fato de que a maioria dos “selecionados” que julgaram Suarez tinha alguma relação com o Manchester United.

O fato é que o temperamento e o histórico do jogador acaba pesando nessas horas.

O que é curioso é que a imprensa e torcedores ingleses tenham se mostrado tão implacáveis, morais e éticos ao defender Evra e condenar Suarez.

Mas isso deve ser pelo fato de que a Ingalterra é um país pacífico ,  sem discriminação social e em que todas as camadas da sociedade se sentem inclusas e satisfeitas.

Isso sem contar a discriminação contra judeus, o anti semitismo, presente especialmente contra a torcida do Tottenham.

O fato é que a discriminação racial de Suarez em relação a Evra não é muito diferente da discriminação que nós, sulamericanos, sofremos quando vamos a esse tipo de país.

Tempestade em copo d’água

O que você faria se alguém em seu trabalho ou na sua área de trabalho fosse responsável por você ser multado ou tomar uma punição, seja financeira ou apenas um afastamento de seu cargo?

Você cumprimentaria essa pessoa? O trataria como amigo?

A indiferença seria minha resposta.

Mas nada impede que sua reação seja oposta a minha. Afinal, as pessoas são diferentes.

A recusa de Suarez se transformou num grande tratado sobre como transformar pequenas atitudes em discussões vagas e inúteis sobre moral e o quão superior somos em relação aos outros.

Porque nós, protegidos por um teclado e escrevendo no conforto de um ar condicionado ou aquecedor, somos seres humanos perfeitos, sem defeitos.

É fácil escrever sobre os atos dos outros. É fácil condenar e dizer que fulano é uma desgraça para o clube, que deve-se punir tal clube com perda de mando ou de pontos.

Bastou que uma mão não fosse apertada para que o gatilho da moral inglesa disparasse para todo lado. Como se já não estivessem acostumados com exemplos dignos de nota como Robbie Fowler, Eric Cantona e John Terry.

A exclusividade não é inglesa

Encerro apenas lembrando que o racismo não é exclusividade inglesa, europeia ou americana. Por aqui também temos racismo no esporte e na sociedade.

Assim como também temos “tempestades em copos d’água” por aqui também, feitas por defensores da moralidade e da justiça.

Suarez ficou como o “vilão” e Evra como “Mocinho”. Assim como nas novelas. E não precisa ter mais que 5 neurônios pra saber que esses conceitos simplistas não se aplicam no mundo real.

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3 thoughts on “Who are you?

  1. Concordo com você: Não achei um absurdo Suárez não querer cumprimentar Evra. O absurdo maior foi o ato de racismo acontecido no jogo passado, com punição já aplicada (justiça mais rápida do que a que temos por aqui), ainda que quem já jogou bola sabe que xingamentos às vezes acontecem em campo. Claro que, pela boa educação e pelo jogo limpo, as pazes seriam o melhor caminho, mas a vida tem desses desencontros e, convenhamos, essa coisa de apertar a mão às vezes pode encobrir certas hostilidades. A comemoração do Evra foi OK até ser feita perto dos jogadores do Liverpool, em clara provocação.

    Bom gosto musical o seu; grande The Who;o disco que mais gosto deles é o Who’s Next.

  2. Só existe racismo no esporte quando ele já existe em toda a sociedade. O que é muito lamentável. E não será com faixas e placas que vão resolver o problema. Nem com apertos de mão forçados. Nessa parte acho que o Suarez foi mais digno do que os hipócritas de plantão. Eu não apertaria a mão só por conveniência. Ou faria pra valer, ou não faria.
    Agora…
    Olha, o que eu já xinguei quando jogava… E era amador, hein. Xingava tudo e todos. Até jogadores do meu time, se ficassem de moleza. Até meus amigos. Mas ficava só no campo. 5 minutos depois do jogo a gente já estava no ônibus, voltando pra casa, conversando e sem nem lembrar quem xingou quem.
    Não digo que esse foi o caso do Suarez, não estava lá. Mas é preciso separar os xingamentos “do futebol” das ofensas racistas. Essas estão por toda parte. E não provocam nem 1% da reação.

  3. Claro que temos de separar as ofensas racistas gratuitas e violentas das provocações de jogo; mas temos de lembrar que, muitas vezes, os termos considerados um pouco racistas pela sociedade, são considerados normais no campo; por exemplo, porque o Edinaldo, ex-atacante do SP, tem o apelido de Grafite?

    Hoje em dia há um patrulhamento exagerado e muita mídia em algumas coisas e pouca atenção ao que realmente importa: educação, melhoria das condições da sociedade como um todo, etc.

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