Ainda há um longo caminho…


E lá vai terminando mais um Pan-Americano. Devido a alguns fatores profissionais, estive com bastante tempo livre pelas últimas semanas. E pude acompanhar as transmissões. Sobre elas, falarei num outro post.

Tudo bem. A primeira coisa que deve ser frizada é que o torneio é um evento “C”. Sendo muito bonzinho é um evento “B”. Mas o Brasil tem mostrado uma evolução.

Sim. Eu sei que os EUA não dão a mínima pro Pan. Sei que o Canadá manda alguns atletas “B”. Mas peguemos o histórico:

1991 (Havana): 21 ouros, 4º no geral. Num Pan em que Cuba e EUA ficaram com mais de 100 medalhas de ouro.

1995 (Mar del Plata): 18 ouros, 6º no geral. Atrás até do México.

1999 (Winnipeg): 25 ouros, 4º no geral. Empatado com a Argentina. Muito atrás do Canadá.

2003 (Santo Domingo): 29 ouros, 4º no geral. Agora empatado com o Canadá.

2007 (Rio): 52 ouros, 3º no geral. Apenas 7 ouros atrás de Cuba e 13 a frente do Canadá.

2011 (Guadalajara): por enquanto em 3º com chances de terminar em 2º.

O fator casa conta e muito. Vide a Rep. Dominicana com 10 ouros em 2003. Esse ano o México vem bem, pouco atrás do Brasil e a frente do Canadá.

O que desejo demostrar com os números é que evoluimos. Melhoramos bastante. Estamos ainda muito longe do investimento que os EUA fazem no esporte. Mas de duas décadas pra cá já evoluimos bastante.

Ok, é o Pan. Eu mesmo falei mal do nível aqui.

Mas com esse mesmo nível o Brasil figurava. Hoje somos cabeças do torneio.

O declínio de Cuba

Muito dessa evolução vivida pelo Brasil está relacionada a queda de Cuba. Antes dominante e fazendo sombra aos EUA, hoje Cuba está ficando para trás.

É claro que ainda é a segunda potência nas Américas. Mas estacionaram no tempo em diversos esportes.

E não houve mudança: os investimentos continuam os mesmos. O que mudou foram os investimentos dos outros países.

Repito: ainda estamos anos luz dos EUA. E não é possível fazer tudo de uma só vez. Mas já melhoramos 50%.

Hoje temos vários atletas em condições de serem campeões olímpicos.

O país monoesportista que somos midiaticamente, está expandindo seus limites nos esportes olímpicos. Antes tinhamos um ou outro expoente que nos trazia um ouro olímpico: Rodrigo Pessoa (04), Joaquim Cruz (84), Aurélio Miguel (88), Rogério Sampaio (92), Adhemar Ferreira da Silva (52-56). E é claro, os nossos atletas do vôlei (quadra e praia) e da vela e iatismo.

Hoje temos atletas como César Cielo, Mauren Maggi, Fabiana Murer, Fabiana Beltrame, Leandro Guilheiro, Leandro Cunha, Ana Marcela Cunha, Everton Lopes, Rafaela Silva e Diego Hipólito. Todos competindo em alto nível. Campeões mundiais ou medalhistas.

Se forem medalha de outro em Londres não será surpresa. É claro que não vão ganhar todos de uma vez.

E ainda temos aqueles esportes manjados de sempre. Vôlei(s), judô, iatismo e vela.

Temos também um bom time feminino de futebol. E um bom time feminino de basquete. Além de uma boa geração vindo para o baloncesto masculino.

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Não aqui. Não agora.

Citei o fator casa acima. E ele valerá muito em 2016.

Pode-se discutir muito sobre os investimentos feitos em esportes. Inclusive para os esportes amadores, que recebem poquíssimo das suas federações, que recebem pouco do COB.

Mas, para mim, acima de tudo, o modelo de gereciamento do esporte no Brasil deve ser mudado.

Todos os países tem suas “meninas dos olhos”. Talvez apenas EUA e China tenham condições de investir uma grana considerável em praticamente todos os esportes que existem.

O modelo americano funciona a praticamente um século. É um modelo que acompanha o atleta desde sua infância. E passa por uma universidade, onde o atleta tem todas as ferramentas disponíveis para se desenvolver no esporte que escolheu. Tem acompanhamento de um treinador, de um nutricionista, psicólogo e tem uma estrutura toda preparada para ele.

Isso não vem da noite para o dia. Não surge do nada.

É preciso muito mais que construir quadras em escolas e contratar professores de educação física (de nível superior) para ganhar R$800,00 por mês.

Mão de obra nós temos. Somos 200 milhões de habitantes desses trópicos que se estendem do Monte Caburaí até o Chuí, da Ponta do Seixas até a nascente do Moá.

Com os incentivos e melhoras na nossa estrutura já evoluímos bastante.

Ainda temos um longo caminho. Precisamos mudar nossa mentalidade. Nós torcedores e também os gestores esportivos.

Temos que pensar grande. Não adianta formar uma Jade Barbosa, um César Cielo, e esperar que surjam novos atletas do nada. As crianças terão interesse em seguir seus ídolos. Mas deve haver um meio para que atinjam uma Olimpíada ou um Mundial.

Está na hora de investir mais pesado na natação e atletismo. Vejam o quanto evoluímos nas piscinas de 1992 pra cá. E está na hora de fazermos com esses dois esportes o que temos para a Ginástica e o Vôlei, os Centros de excelência, que formam atletas.

Um nadador como o César Cielo precisou ir para os EUA para conseguir uma estrutura de primeiro nível. Os principais clubes daqui (Flamengo, Minas, Pinheiros), sofrem com a falta de recursos financeiros.

Infelizmente, como disse anteriormente, não é possível atender a todos imediatamente.

Mas poderiamos focar uma base. Podemos trabalhá-la e, quem sabe, aproveitar o legado dos Jogos do Rio para que possamos investir nos outros esportes. Aos poucos.

Deveriamos focar: atletismo, natação, ginástica, lutas (boxe, judô, taekwondo). Esportes em que já temos bons atletas com resultados.

Já seria uma boa base para 2016. Poderíamos lutar por umas 10 medalhas, se somarmos os esportes coletivos como basquete, futebol e vôlei e os esportes que nem precisam de tantos incentivos, como a vela e o hipismo.

Teríamos uma base. E a partir daí poderíamos partir para os outros esportes.

Como uma escalada.Aos poucos. Estruturando e dando condições para que esses esportes consigam “se virar”.

Estou sendo utópico demais? Ou será que seria demais pedir isso da Sétima economia do mundo?

3 thoughts on “Ainda há um longo caminho…

  1. Tenho que admitir que acho seu blog ótimo, pois seus posts são sempre muito bem elaborados. Estava pesquisando sobre esse tópico por milênios e você me mostrou a luz no fim do túnel. Não admita que a qualidade desse blog diminua, está unicamente estupendo!

    Obrigado pelos elogios! E continue comentando!

  2. Também acho que temos de valorizar a subida de desempenho do Brasil nos esportes olímpicos, apesar do nível mediano (sendo bonzinho) do Pan. O problema é que boa parte da mídia ou é muito ufanista na análise ou não acompanha com afinco esses esportes que só são vistos em épocas de grandes torneios; talvez o Brasil fazendo com alguns países, se especializando e centrando forças em determinados esportes, o país pode crescer em numero de medalhas e solidificar sua cultura esportiva; nem dá para falar tanto que falta dinheiro publico, falta mais apoio constante de determinadas confederações.

  3. Outro dia vi uma entrevista de uma atleta que voltou do Pan, reclamando de um ponto: aqui se espera o atleta ter destaque (vitórias) e só então aparecem os patrocínios. Quando deveria ser o oposto. E acho que ela tem 98% de razão.
    Também acho que o dinheiro nem é o maior problema, já existem verbas razoáveis, principalmente oficiais e das estatais. Falta ainda a iniciativa privada. O problema maior é na aplicação dessas verbas. Vide o recente caso do sr. Orlando “lalau” Silva.
    É fato que evoluimos nos últimos tempos, mas… Ficar atrás da Ilha Falida não é tão glorioso assim. Considerando o investimento X medalhas, Cuba dá de 10 a zero no Brasil.

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