Cartão Vermelho


 

Depois de um pequeno e rigoroso inverno, estou de volta. E vou falar de um assunto que não dei muito destaque ainda. Arbitragem.

Há, especialmente ná última década, um aumento acentuado no número de críticas a arbitragem. Especialmente após a Copa de 2002, que, convenhamos, foi um desastre.

O que é preciso saber fazer é separar o que é uma crítica válida e o que é uma crítica para vender jornais ou aumentar a audiência. E também é preciso deixar claro que a opinião de um torcedor passional, especialmente logo após uma partida, é completamente inútil.

Há muitos árbitros ruins. Tecnicamente e psicologicamente. Já o nível físico dos árbitros (que são atletas também), vai decrescendo de acordo com a divisão (pegue um árbitro da Série D como exemplo).

O número cada vez maior de câmeras e recursos tecnológicos não aumentou a quantidade de erros. Eles sempre estiveram ali. Sempre foram cometidos. A gente é que não via.

Hoje há uma discussão enorme sobre o uso desses recursos para ajudar os árbitros. Sou a favor de alguns, completamente contra outros.

Também há discussões sobre mudanças nas regras. Acho que há muita coisa que pode ser melhorada.

Separei alguns pontos importantes sobre a arbitragem/regras:

Erros tecnológicos

Não é preciso dizer que em 1978 havia muito menos recursos em transmissão televisiva do que hoje. Assitam a Gandes Momentos do Esporte, na Cultura, e vejam que em muitas partidas importantes havia, muitas vezes, apenas uma câmera transmitindo as partidas.

Hoje só na Série D temos apenas uma câmera mostrando as partidas. E olhe lá!

Hoje imediatamente após o gol temos o replay, de vários ângulos. Até de cima.

Então é óbvio que há câmeras que reistram a linha de impedimento. Ou a linha do gol.

Então imagine um lance em que temos que ver 5, 6, 7 vezes pra saber se alguém estava impedido. E o tira teima mostra algo como 10cm de impedimento. Podemos culpar o bandeirinha?

A mesma história vale para aqueles lances de gol em que a bola toca próxima ou muito próxima da linha.

O bandeirinha e o árbitro tem uma fração de segundo pra decidir algo. Se você só consegue perceber depois de ver e rever um lance várias vezes, o “erro” é tecnológico. O árbitro é humano como qualquer um de nós.

O mesmo vale para faltas e lances fora da bola, faltas em cima da linha da grande área etc. Muitas vezes o campo de visão do árbitro está prejudicado. E sempre temos que nos lembrar que a decisão do árbitro é tomada em uma fração de segundo.

É esse tipo de erro que está sendo cada vez mais falado nas Tvs e internet. É esse tipo de erro que não era contabilizado no passado e que hoje está entrando na conta dos árbitros.

Erros

Bom, há os “erros tecnológicos” e há os erros erros mesmo. Aqueles em que o árbitro vê o lance mas não marca.

A arbitragem por si só já é algo complicado. É uma questão de julgamento. De decisão. Extremamente subjetiva.

Não adianta ler manuais, saber as regras e ter um bom condicionamento físico. É preciso estar atento o tempo inteiro. Tanto o árbitro quanto os banderinhas.

Um impedimento com mais de 1 metro, um carrinho por trás não punido, bola que entra mais de 4 metros (como naquele lance da Copa passada) simulação descarada etc. Lances que podem ocorrer naquela fração de segundo que falei e o árbitro (ou bandeirinha) estarem desatentos e……Pronto. Errou. E com a tecnologia de hoje, é bom estar preparado para ser crucificado.

Também (obviamente) há os erros que ocorrem por deficiência técnica. Falta de conhecimento das regras, falta de condicionamento físico, enfim. Nesse ponto a CBF, FIFA ou qualquer outra entidade tem que trabalhar forte. E o pior é que trabalham.

Na próxima vai pro chuveiro hein!

Os árbitros do Brasileirão por exemplo, são obrigados a fazer cursos anualmente antes do torneio. Ficam alguns dias em Teresópolis sendo orientados. Se eles chegam em campo e fazem besteiras, pode não ser por falta de treinamento. Talvez seja falta de capacidade mesmo. Ou algo psicológico. Acontece muito.

Isso quando não são tendenciosos. Mas é outra história.

Comentaristas

Hoje há um número incrível de ex-árbitros nas Tvs, Jornais, Portais….

Muitos, muitos deles são de qualidade duvidosa. José Roberto Wright por exemplo. Ou Márcio Rezende de Freitas. Dois “profissionais” que tiveram inúmeros episódios no mínimo controversos durante suas carreiras e que hoje julgam seus colegas.

A questão é que creio, com quase 100% de certeza, que essa é uma “profissão” que só existe por aqui. Pelo menos nas transmissões. Nunca vi algo tão específico na Itália ou Inglaterra. Nem na Argentina. O papel de comentar os lances polêmicos é do próprio comentarista do jogo. Até porque, convenhamos, esse tipo de “profissional” não acrescenta nada. Porque a partir do momento em que ele tem que ver e rever um lance pra falar algo, isso pode ser feito por qualquer um, não!?

E de uma maneira geral as regras do futebol são simples. Há poucos casos em que um narrador ou ex-jogador, com vários anos de experiência, não saiba a regra.

Tendenciosos

Uso da tecnologia

Isso é algo para ser pensado e repensado. Há bons argumentos contra e a favor.

A colocação de mais árbitros atrás dos gols é uma boa ideia. Tem que se pensar se é viável para todos os torneios.

A inclusão do spray é uma boa ideia. Por aqui já é rotina, mas o resto do mundo não conhece nosso sprayzinho milagroso. (spray é tecnologia sim😉 )

A colocação de chips nas bolas segue a mesma linha. Ajuda especialmente naqueles lances em que o bandeirinha tem que estar na linha de impedimento e o jogador chuta de longe e a bola quica próxima a linha. Nenhum bandeirinha é o The Flash. A viabilidade dessa tecnologia é questionável. Até porque  é preciso uma pequena parafernália para que a marcação seja feita.

Sou contra a ideia de parar lances para analisar. Como no basquete ou tênis. Esses são esportes em que o jogo já para normalmente. Parar mais um pouco pra analisar um lance não custa nada. No futebol custa. Não há “tempos”, o relógio não para. E também viraria bagunça. Ainda mais por aqui. Imagina quantas reclamações iriam ter por partida. Não acho que seja uma boa ideia.

Mudanças nas regras

O futebol sempre mudou suas regras. Basta uma pequena pesquisa pela internet para descobrir algumas delas. Os cartões por exemplo, só começaram a ser aplicados na década de 60. O número de substituições variou, até mesmo o número de pontos por partida. Fora o recuo, algo tosco que existia até 1990.

Acho que hoje precisamos de alguns ajustes.

Uma boa ideia é o aumento do número de substituições. Hoje o futebol é mais físico que nunca. Talvez 5 substituições esteja mais de acordo com a exigência de hoje. Já substituições no estilo basquete eu sou contra.

A limitação de jogadores no banco também é algo a ser repensado. Nos torneios FIFA todos jogadores inscritos ficam a disposição do treinador. Porque não ampliar isso para os outros torneios também? Não custaria nada e ajuda a dar mais opções para os treinadores e chances para jogadores.

Também há a ideia do “cartão azul”. Coisa antiga, mas que acho que não sai do papel. O sistema amarelo pra alertar, vermelho pra expulsar funciona muito bem.

A prorrogação é outro assunto controverso. Já criaram o Gol de Ouro (lembram dele?) mas não colou. O fato é que após 90 minutos o desgaste já é grande. Cada vez maior, acrescento. Jogar mais 30 minutos é algo quase cruel.

Em torneios femininos então, é covardia. Quem assistiu a Copa do Mundo feminina desse ano concorda comigo. Em torneios sub15 e se não me engano sub-17 também ela nem exite. Empatou, penaltis.

Eu não sou fã de prorrogação. Muitos torneios não a incluem nos seus regulamentos. A Libertadores por exemplo. Acho que se ela fosse extinta não iria fazer falta nenhuma. Mas isso é só minha opinião.

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Enfim, era isso. Abordei o assunto de uma maneira geral.

Ainda há a discussão sobre a profissionalização dos árbitros. Isso é tão mas tão controverso que nem vou me arriscar a me alongar mais por hoje. Fica pra próxima.

ps: Atlético e Cruzeiro estão fazendo tanta, mas tanta força para disputar a Série B que acho que já estão merecendo! Podiam dar as vagas para esses dois logo de uma vez que poupa o desgaste até dezembro!

Atualização: não preciso dizer muito sobre a Selemano. Aqui está minha opinião, num bom texto de Rica Perrone.

4 thoughts on “Cartão Vermelho

  1. Primeiro, sua análise sobre diferença entre os erros técnicos e os mau intencionados é perfeita e não precisa de reparo. Segundo, você também disse tudo sobre os comentaristas de arbitragem e citou o pior deles, o Wrong – o Adnet faz uma ótima “imitação” dele. (o larápio de MG, juro para você, nunca ouvi comentar, faço questão de abaixar o volume; a rejeição dele é tão grande que a Globo nunca teve coragem de escalá-lo para comentar fora de MG). É algo realmente bizarro um cara esperar um lance para poder comentar, se é para fazer isso, coloca qq um realmente.

    Sobre as regras; penso que o chip na bola é imperioso, ainda que seja mais para os grandes torneios; o gol é uma jogada na qual não cabe interpretação, portanto, tem de ser dirimida a dúvida de qq jeito. O impedimento é mais complicado de ter uma lei definitiva; o que poderia acontecer é traçarem uma linha prolongando a grande área e o impedimento ser marcado só ali; poderiam fazer isso como teste.

    Substituição poderiam liberar uma exclusiva para o goleiro, sem perder as 3 atuais, ou seja, já aumentaria uma. Tb acho a prorrogação uma perda de tempo na maioria das vezes, pois em 95% dos casos os times se seguram para não levar um gol que seria fatal. O que vc acha do limite de faltas que foi testado uma vez no Rio-SP de 1997? Time só podia fazer 15 faltas coletivas se não levava um tiro livre direto da meia lua e cada jogador podia fazer só 5 faltas.

    • Primeiro valeu pelos elogios!
      Cara, não tinha conhecimento dessa regra do RJ-SP!(até pq era mto moleque em 97…hehe) mas achei interessante. Claro que precisaria de muita discussão sobre o assunto, mas há muitos jogos em que o número de faltas extrapola o aceitável, especialmente aqui na América do Sul. Acho que limitando o número de faltas os jogadores iriam pensar melhor antes de ficar fazendo faltinha no meio campo. É algo a se pensar!
      Já sobre as substituições, não gosto dessa de desconsiderar o goleiro. Até pq ele quase nunca é substituído. Os esportes em geral, o futebol incluso, estão exigindo cada vez mais dos atletas. 90 minutos em alto nível é pedreira!
      Sei lá, 5 substituições seria o ideal. É só levar em conta que antigamente não havia! Era só em caso de contusão mesmo. Acho que esse é um ponto que vai entrar em discussão logo logo, pode escrever.
      A, e sobre o gol, realmente, ou é ou não é. Não tem meio termo. É chip na bola!😀

  2. Eu não ligo tanto pra erros de 20 cm. de impedimento ou coisas que só dá pra ver depois de 10 replays e frisando a imagem. Fico p* da vida mesmo é com árbitros que querem ser as divas, que tem critério próprio, que tem rivalidade com alguns técnicos e jogadores.
    O Heber Roberto Lopes é um que nem suporto ver soprando o apito. Dá nos nervos.

  3. Falei de liberarem uma do goleiro pq seria o caminho mais simples para aumentarem uma substituição sem muita discussão; para acabarem com o recuo de bola para o goleiro já foi um custo,rs…Mas tb acho que 5 no máximo pode ser um número legal.

    Tb acho que o limite de faltas é algo para ser discutido, ja que na Europa conseguem fazer o jogo sem tanta falta marcada; de todo modo é algo que gostei qdo foi tentado; 2 juízes é algo que gostava no Paulistão, mesmo correndo o risco de erros em dobro, mas poderia ser mais usado tb.

    E concordo com o Marco o tal de Heber é uma porcaria de juíz; não duvido que vire comentarista qdo parar.

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