Queria ter uma máquina do tempo


Queria ter uma máquina do tempo. Pra voltar pra 1996, 1997, 1999, 2001…

Pra me lembrar de quando o Atlético tinha jogadores comprometidos e dedicados.

Jogadores que não eram estrelas. Não tinham salários absurdos. Nem recebiam em dia, na maioria dos casos.

Tempos em que assim como hoje tínhamos jogadores buscando fazer seu nome, vindos da base ou subaproveitados por outros clubes. A diferença é que eram homens ou meninos que entravam em campo e sabiam que estavam defendendo um time grande, de tradição. Não estavam apenas de passagem.

Tempos em que também tínhamos jogadores de nome. Mas que entravam em campo e tinham a mesma consciência que aqueles menos famosos: estavam em um grande clube com uma grande torcida. Sabiam da responsabilidade. Se entregavam dentro de campo. Havia raça.

Nessa época tivemos o melhor goleiro do mundo. Uma das mais mortais duplas de ataque que já houve no futebol brasileiro, e que ficou e ainda é famosa em todo o Brasil. Por aqui passaram Dedê, Belletti, Caçapa, Gilberto Silva e Lincoln, jogadores que não eram nada e fizeram seu nome aqui, indo brilhar na Europa durante essa primeira década do milênio.

E também tivemos Doriva, Jorginho, Ramón, Adriano, Galván, Gallo, Renaldo e Valdir Bigode, dentre outros. Jogadores que nunca foram craques, eram limitados, mas que, cada um a sua maneira, defendiam o Atlético com brio, seja qual fosse a circunstâncias.

Marques e Guilherme foram tão bem que chegaram a ir juntos pra seleção.

Tínhamos elencos que, se eram carentes e por vezes limitados, tinham brio e comprometimento de sobra.

Uma época em que era emocionante ver os jogos. Ou mesmo ouvir. Se muitas vezes passávamos raiva com derrotas bobas, goleadas pesadas e eliminações, pelo menos tínhamos a certeza de que, independentemente do torneio, teríamos jogadores jogando com raça. Era como se houvesse 11 atleticanos dentro de campo.

Tempos que também tiveram seus dias difíceis, tenebrosos. Mas sempre havia aquela magia de ver um jogo do Atlético.

Reparem que nesse tempo que citei acima o Atlético só venceu uma CONMEBOL e um Mineiro.

Não falo aqui de títulos. O que sinto falta é da atitude. Da paixão. Aquela coisa que você não sabe explicar o que é. É o sentimento que foi desaparecendo.

A magia se foi.

Ficou o nome. Ficou a camisa. Essa, aliás, continua listrada preta e branca, mas já foi várias vezes assassinada de 2001 pra cá.

Já houve tentativas de fazer o “bom e barato”. Caímos.

Tentamos uma mescla no ano do centenário. Fomos humilhados.

Tivemos um ano bom em 2009. Ano que não preciso usar a máquina do tempo, já que me lembro perfeitamente. Ano em que tínhamos um time com alguns jogadores conhecidos, mas que era formado basicamente por jogadores normais, simples, limitadíssimos, que na maioria dos casos só sabiam fazer o simples nas suas posições. Mas foi essa simplicidade que liderou o campeonato por um bom tempo.

Mas a coisa desandou novamente. Partindo da falsa idéia que times vencedores são formados por jogadores caros e famosos, o Atlético começou a investir pesado. A pagar caro por jogadores famosinhos. Poderia citar uma dezena de jogadores caros e que vieram como salvação da lavoura, mas todos sabem os nomes.

Não eram craques. Nem estrelas. Nem famosos. Nem recebiam em dia. Porque cenas como essa não se repetem mais?

Viraram fantasmas. Assim como as dezenas de jogadores que contratávamos por ano naquele tenebroso período de 2004-2006. Todos fantasmas, poltergeists que passaram a assombrar a memória atleticana. Por lá, Diego Souza e Calisto são iguais.

Viramos um time de estrelinhas. A maioria decadente. Gente que não conhece nossa história. Que não conhece a torcida. Jogadores que não tem idéia da dimensão que esse clube tem na vida de cada atleticano.

Hoje temos um clube conhecido pelo CT. Pelos salários em dia. Por jogadores bem pagos e famosos. Pelos técnicos caros.

Mas um time sem alma.

Sem magia.

Sem graça.

Já tem algum tempo que os jogos do Atlético ficaram vazios.

Ontem ao ouvir o terceiro gol do Botafogo simplesmente desliguei o rádio. Não senti nada. Nem raiva, nem tristeza. Não procurei saber o resultado.

Esse grupo que está aí não me representa. Nem esse técnico. Muito menos esse presidente.

Eles não têm a alma do atleticano.

São apenas espectros. Logo logo se tornarão apenas mais alguns fantasmas assombrando nossa história.

One thought on “Queria ter uma máquina do tempo

  1. Tá complicado mesmo pro Galo. Nem forte, nem vingador.
    Precisaria uma mudança radical. Talvez começando pela direção, que, apesar de não acompanhar de perto, vem cometendo erros e mais erros. O resto é consequência.

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