De saco cheio


Há várias coisas que me irritam muito na mídia esportiva. Muitas que me irritam dentro dos gramados, quadras , etc.

Elaborei uma pequena lista. Concordam comigo?

(Estava planejando esse texto há algum tempo. Hoje li no Tevezona um texto que condensa alguns dos principais pontos do que queria escrever. Vale a pena conferir também)

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Ridicularização do esporte/Programas “esportivos”

Parece que o assunto principal dos programas esportivos hoje é qualquer coisa que não o esporte.

Não é só do João Sorrisão que estou falando. Falo dos programas esportivos cheios de piadinhas. Dos gols mostrados de ângulos estranhíssimos enquanto o narrador faz uma piadinha ou analogia no fundo. Do furão que atormenta (ou atormentava) os gols do seu time.

De uns tempos pra cá, adeus programas esportivos em que a pauta era mostrar uma reportagem sobre uma partida, gols, reportagem sobre um torneio, algo histórico….Hoje a pauta é ser engraçado. Mesmo que isso signifique forçar a barra, e muito.

Lembro também os apelidos toscos, como carroça desembestada, bonde sem freio, trem bala da colina….uma tosquera atrás da outra.

Apresentadores engraçadinhos, descolados demais. Reportagens onde o que menos vemos é o assunto principal, pois as pautas se perdem em fazer piadas e tentar achar graça em cada atitude, gesto, lance….

Fazem graça com o penteado, comemorações, com os repórteres…com celebridades que nenhuma relação tem com o esporte.

Isso é muito mais latente no futebol porque somos um país “monoesportista”. Mas é geral, no vôlei, no basquete….e independe de emissora também. Afinal, temos até mesmo palhaços comentando jogos…..

O resultado é que a audiência desses programas pode até ter aumentado, mas o QI de quem assiste a esses programas foi lá no chão.

Queriam dar “leveza” aos programas. O problema é que exageraram demais.

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Comemorações toscas

E aqui o João Sorrisão é a estrela. Comemoração boba, sem graça, idiota e que faz parte de uma estratégia de marketing que deu muito certo pra Globo. Afinal, todas as emissoras tem que mostrar os palha…jogadores comemorando seus gols com essa idiotice.

Aqui também entram as dancinhas coreografadas, que tiveram seu auge com o Santos.

Ou aquele time islandês que comemorava seus gols com verdadeiras peças teatrais.

Tudo vira modinha na internet. Pode ser até legal no início. Depois cansa. Mas o pessoal não conhece a palavra “limite”.

Outra coisa que irrita é quando o fulano marca um gol no seu ex-time e não comemora. Coisa mais besta. A história dele, por mais marcante que tenha sido, não pode se sobrepor ao clube que defende naquele momento. Se não quiser dar socos no ar, pelo menos sorria, aponte pra torcida, comemore com os companheiros…..mas levantar os braços ou sair como se nada tivesse acontecido é desrespeito com o clube atual.

E aquelas comemorações clássicas, socos no ar, explosões de raiva ou alegria, bater no peito e gritar “sou foda”, escorregar de joelhos pelo gramado, estão ficando no passado.

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Comentaristas de araque


Hoje pra ser comentarista basta preencher os requisitos a seguir:

– Ter sido ex-jogador, não importa de qual esporte nem se foi bom ou ruim

–  Ter um padrinho forte que aguente te segurar na emissora. Se não tiver alguém , pode ser dinheiro mesmo.

–  Não precisa saber falar corretamente. Nem plurais, nem pronomes, nem é necessário ter um vocabulário muito extenso.

–  Tem que saber fazer teatrinho

–  Tem que saber contar piada. Ou então se fazer de homem sério.

Ou nem precisa de preencher todos. Comentaristas como Ronaldo Giovanelli, Edmundo, Caio Ribeiro, Denílson, Neto, DATENA, Milene Domingues, são exemplos do que se transformou o futebol hoje: marketing.

Uns se sustentam pelo apelo popularesco. Outros pela “beleza”. Outros por serem jovens e moderninhos.

Todos sem conteúdo.

É fato: o conhecimento que a maioria que esses e o grosso dos comentaristas tem é tão profundo quanto um pires.

Comentam lances. Se uma pomba passa em frente a câmera eles interrompem o comentário pra falar “olha a pomba passando na câmera”. Reparem isso. Comentam olhando pra um monitor, sem ver o jogo como um todo. Assassinam o português. Denílson não sabe usar o plural. Não mesmo.

Fora o fato que a maioria deles não tem conhecimento pra comentar sobre fatos históricos. Os comentaristas da RedeTV, por exemplo, tropeçam a todo momento ao citar algo ocorrido em temporadas passadas do campeonato inglês ou italiano, por exemplo.

Não tem memória ou conhecimento. Isso pode passar despercebido do grande público, mas pra quem conhece e entende de esporte, fica chato, muito chato.

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Narradores de rádio

Esse é o estilo dos nossos narradores de TV. Narram como se não estivéssemos vendo as partidas. Isso ocorre em outros países também, devo ressaltar.

Os narradores do rádio precisam de detalhar os lances porque a sua audiência não está vendo o jogo.

Mas na TV eu vejo a partida. O trabalho dos narradores é menos de detalhar os lances e mais de situar o torcedor, falar o nome do jogador, enaltecer um lance….

É algo sutil, mas que faz diferença. Basta assistir a transmissões do campeonato inglês para perceber a diferença.

Algo como: “Lá vai fulano pela esquerda com a bola dominada, invertou pro outro lado (sic), sicrano dominou, parou,olhou, vai cruzar, deu um drible sensacional, entrou pela área, vai chutar, na trave, rebote voltou pra ele, chutou e é GOL!”.

Poderia ser simplificado: “Fulano com a bola, bela inversão para sicrano na entrada da área, sicrano aplica um drible desconcertante e fica livre para chutar, pegou o rebote e é GOL!”

Não sei se ficou bom pra entender. É mais fácil assistir a partidas na Inglaterra e Alemanha pra entender melhor. Aqui os narradores e comentaristas falam 95% do tempo. Lá não passa de 60%. A diferença está nos detalhes inúteis.

Fora o medo que alguns comentaristas e repórteres tem quando a bola está perto da grande área. Vai você fulano. Olha o lance.

Quer um exemplo daquele que talvez seja o melhor narrador de TV que já existiu: Sílvio Luiz. Raramente narra um lance nas minúcias. Sempre deixa os comentaristas falando mesmo em lances perigosos. Porque afinal, eu estou vendo o lance, eu sei que é perigoso, não preciso de ninguém gritar pra mim que a bola está na entrada da grande área.

Quantas vezes ele não cutuca os comentaristas que dizem, “vai com você”, dizendo, pode continuar, ou então ficando em silêncio. 90% das vezes que os narradores tomam a palavra em lances de perigo não acontece nada e o raciocínio do comentarista se perde.

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Devo ter pulado algo. Mas tá valendo, já tem bastante coisa aí.

3 thoughts on “De saco cheio

  1. Concordo com seu texto. Sobre a idiotização dos programas é um fenômeno que abrange também o jornalismo dito sério, basta ver, por exemplo, o Jornal Hoje e o SBT Brasil com a “descontração” forçada dos apresentadores e das matérias muitas vezes ridículas que são veiculadas. No esporte, não satisfeita em copiar a Globo, a Record levou essa palhaçada às últimas conseqüências com o lamentável Esporte Fantástico.

    Sobre as comemorações ai a culpa passa também pela sociedade em si, e isso é bem retratado por aquela frase dos “15 minutos de fama”; quase todo mundo quer.

    Sobre os comentaristas só discordo em relação ao Caio, que mostra ser um cara interessado em conhecer os times e não fica fazendo palhaçada e falsas polêmicas, apesar de participar daquele Central da Copa. O problema aí é um preconceito ao contrário, coisa que o Falcão também foi vítima, do cara ser muito polido e isso também não agrada parte da audiência. O Edmundo eu faço questão de ver pouco, mas parece também estar se esforçando em não ser apenas um pateta na tela.

    Sobre o conhecimento realmente poucos dominam o assunto, com informações relevantes, e apostam mais em “causar”, como diz o Marco do Tevezona. O Silvio Luiz conseguiu se destacar por fazer um estilo próprio e não ser um bom humor forçado e é um cara a ser citado realmente, mas em relação ao conhecimento hoje em dia, ele ficou um pouco para trás.
    Acho que citar os bons exemplos como o Tostão, Junior, Luiz Roberto, PVC, Vitor Sergio (apesar da descontração em excesso às vezes), Rafael Oliveira, Milton Leite, Lédio Carmona, Paulo Calçade, Amigão e Antero Greco (existem muitos outros bons, mas destaco esses no momento), também é importante.

  2. Eh… é um negócio que já TORROU a minha paciência e, mesmo ser querer ser, acabamos fazendo o papel de chatos. Só que é como você disse e eu já falei há muito, existe um LIMITE entre ser bem humorado e ser sempre engraçadinho. Nunca defendi uma transmissão engessada. Mas temos que ter limites.
    Nesse ponto eu tenho que concordar com o Alexandre, o Silvio Luiz, gostemos ou não, é daquele jeito. Ele não faz tipo. Diferente, por exemplo, daquela ensaiada “briguinha” de foi/não foi pênalti no 3º Tempo. Qualquer idiota sabe que tá no script do Miltão, é a tal polêmica fajuta.

    Pior de tudo é lembrar que cresci no futebol, bem garoto ainda (dos 7/8 em diante) ouvindo gente como Saldanha, Sandro Moreyra, Toguinhó, Armando Nogueira (esse não só no esporte) e outros. E agora tenho que aguentar imbecilidades do Giovaneli, Milene, Denilson e correlatos.
    Só como exemplo de que alguém pode ser jornalista e até brincar, eis um caso interessante: http://www.diretodaredacao.com/noticia/sandro-moreyra-x-armando-nogueira

  3. Conheço os bons exemplos de comentaristas e só não citei ninguém porque o texto era pra descer a lenha nos pseudo comentaristas de hoje. Mas concordo com vocês dois. Os bons jornalistas sempre existiram e, espero, sempre exitirão.
    Quanto ao Sílvio Luiz ele realmente peca hoje em relação ao “conhecimento”, ainda mais quando é posto pra narrar partidas internacionais, ele desliza as vezes. Mas o citei porque o cara é o único narrador “diferente” que temos hoje. Outro que gosto bastante é o Milton “que beleza” Leite.

    Valeu pelo link Marco, muito interessante mesmo!

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