Globo


Finalmente chego a Rede Globo. A vênus platinada, a gorda, a preguiçosa, motivo de ira de muitos.

Mas convenhamos, a qualidade das transmissões e programas da Globo são coisa de outro mundo para qualquer outra emissora brasileira. Não é minha intenção aqui discutir o sexo dos anjos, portanto, não irei analisar a história meio nebulosa das Organizações Globo. Tetos de vidro pairam sobre todas as emissoras.

Bom, qual é o carro-chefe dos esportes da Globo? Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil, F1? Qual rende mais, qual tem mais audiência, isso não importa. Qualquer um desses eventos acima tem uma audiência grande e contratos gordos de patrocínios.

Levemos em conta também que a emissora possui inúmeros outros eventos, de natação, atletismo, futsal, futebol de areia, Stock Car, que são exibidos nas manhãs de sábado ou dentro do Esporte Espetacular. Ou seja, há variedade.

Também lembremos que os direitos da Superliga de Vôlei e do NBB são da emissora, que os transmite no Sportv. Aliás, vários eventos são transmitidos no Sportv, tendo apenas suas fases finais no sinal aberto.

Mas o que a Globo faz muito mais bem feito que qualquer outra emissora brasileira é a promoção dos eventos. Através do diário Globo Esporte, dos telejornais, do Esporte Espetacular, o telespectador recebe informações sobre os eventos e fica sabendo quando eles vão ser transmitidos. Parece algo simples, mas quem mais faz isso?

Um exemplo simples é a promoção da F1 em comparação a promoção da Fórmula Indy. A entrada da FIndy no Jogo Aberto é rápida, tosca e só está lá por obrigação. Enquanto isso a F1 recebe entradas no Globo Esporte, no Jornal Nacional, Fantástico. E não são imagens rápidas, entrevistas curtas, são reportagens mesmo.

É claro que sendo uma organização do tamanho da Globo, a terceira maior emissora do mundo, fica muito mais fácil atrair patrocinadores, conseguir eventos, especialmente eventos massivos como a Copa do Mundo, Brasileirão, Fórmula 1. A visibilidade da emissora é nacional, talvez a única emissora que possa dizer ser realmente nacional.

O recente crescimento da Record fez a Globo sair da sua redinha, aonde estava dormindo tranquila há mais de uma década. Preguiçosa, a emissora abandonou o circo feito pelo Clube dos 13, está investindo pesado nos clubes e não deve perder os jogos do Brasileirão. E é nessas horas que vemos que a emissora é a preferida dos clubes por razões simples: a capacidade de promoção do evento, os patrocínios mais gordos, a qualidade das transmissões….

Infelizmente temos apenas a Globo nesse patamar no Brasil. A Record pode tentar comprar tudo com seu dinheiro que ninguém sabe a origem, mas pode a Record promover um campeonato por um ano inteiro? E a Band, que pega as sobras da Globo?

Tendo uma maior quantidade de eventos, é óbvio que a emissora também atrai os melhores jornalistas. Volta e meia um destaque de outra emissora é contratado. E mesmo as saídas da emissora não são perdas tão consideráveis.

Muita gente reclama do Galvão, e com toda razão, mas quantos melhores que eles temos hoje na televisão? O mesmo vale para os comentaristas e para os outros narradores. Enquanto algumas emissoras tem sérios problemas para gerenciar eventos simultâneos por falta de narradores, a Globo tem no mínimo 4 narradores prontos para qualquer evento necessário.

Sei que estou parecendo um defensor da emissora. Mas não sou. A Globo peca num ponto crucial, que é o seu bairrismo disfarçado. Os clubes cariocas são claramente supervalorizados na emissora, seja nas transmissões, seja nos programas. Muitas vezes a emissora foi acusada de ser flamenguista durante a década de 80, protegendo o clube dos clamorosos erros de arbitragem que ajudaram a equipe a se estabelecer no cenário nacional. E eu concordo com isso.

Aliás, leve em conta que o Botafogo tem mais torcedores fora do RJ do que no estado e veja a influência que a emissora tem no resto do país. Mas sejamos racionais: suponhamos que a Globo tivesse sua sede no Paraná. Não seriam as equipes paranaenses as mais “ajudadas”? Coritiba e Atlético seriam os clubes mais populares do país. Quis o destino que a Globo fosse sediada no Rio, então seus clubes são os beneficiados. Fazer o que?

Nos últimos anos a emissora parece estar tentando reduzir essa parcialidade. A criação de edições regionais do Globo Esporte é um exemplo. Agora temos um GE nacional na parabólica também. Mas vez ou outra temos o careca Alex Escobar e a edição carioca na parabólica. A regionalização em uma emissora como a Globo é mais fácil. Já existem os estúdios, afiliadas, profissionais. Basta a vontade. Nas outras emissoras é preciso começar tudo quase do zero.

Algo a alfinetar também é a preguiça e a soberba da organização. Afinal, pra que comprar os direitos em canal aberto da Superliga de Volei e do NBB se não transmite os eventos? No caso da Superliga, apenas as finais são transmitidas.

Algo também a pontuar sobre alguns comentaristas, especialmente os de arbitragem. Wright não é o homem mais indicado para falar sobre erros de arbitragem. Aliás, a carreira do Wright é mais pontuada por polêmicas do que por méritos. Que o digam os italianos, que o escolheram o árbitro da Copa de 1990. Será porque hein? Enfim.

Ultimamente também a emissora tem seguido uma linha de programas que anda fazendo algum sucesso. Encabeçado por Tiago Leifert, o Central da Copa agradou, o GE São Paulo ganhou novo fôlego na audiência, mas….Bom, se você tiver mais de 16 anos de idade fica difícil achar graça em tudo que o Tiago fala. As vezes ele força demais, como no fim de semana do Jogo das Estrelas do NBB, quando ele testou a paciência de todo mundo com suas gracinhas e sua “simpatia”. Alguém tem que falar com ele que o mundo não gira em torno do seu umbigo.

E o resultado direto do sucesso do rapaz é que o GE vem se tornando um programa de notícias alheias ao esporte (via Tevezona). Certo dia gastaram mais tempo falando do romance Shakira-Pique do que mostrando reportagens dos jogos da noite anterior. E não é exagero. Outra consequência é o surgimento de clones do rapaz. Alguns muito, excessivamente forçados.

E o advento da internet também ocasionou o esvaziamento de certos programas, como o Esporte Espetacular, antes um excelente programa e que se transformou num programa muito moderninho e forçado.

A questão é que a Globo é um exemplo de como transmitir um evento esportivo. A qualidade de suas transmissões é inquestionável e reconhecida mundialmente. Tanto é verdade que há inúmeras cópias mal-feitas de seus programas inundando as grades das outras emissoras.

Originalidade zero.

2 thoughts on “Globo

  1. Renan, você falou quase tudo. Com razão. Mas esqueceu um problema GIGANTE do esporte global: sua mania de interferir nos eventos. Pra mim isso é uma falha enorme. Ela pode comprar o quanto quiser. Pra transmitir!! Transmitir não é meter o dedo no calendário, forma de disputa, regulamento, cor da camisa, boné de patrocinador, nome de equipe de corrida…
    Ela que transmita. E só!!!!!!

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