Libertas e Champions League


A Libertadores “começou”.

No mesmo dia em que recomeçou a Liga dos Campeões.

Ambas as competições tem muito em comum: são os maiores torneios dos seus continentes, abrigam os melhores clubes e jogadores, atraem grande interesse da mídia e estão inchadas.

Aliás, põe inchadas nisso.

A Liga dos Campeões não tem esse nome a toa. É uma Liga para os Campeões dos seus países. Ou era. Afinal, o quarto colocado do campeonato Inglês não foi o campeão inglês, certo?

Nos seus primórdios a Liga dos Campeões realmente só abrigava os campeões europeus. O que levava a fatos, no mínimo, curiosos.

Por exemplo, hoje, em sã consciência, você imaginaria uma final de Liga dos Campeões entre Malmo x Nottingham Forest? Foi o que aconteceu em 1979. Aliás, o Nottingham Forest teve a proeza de ganhar apenas um título inglês em 1978 e conseguir o bi-campeonato da então Copa dos Campeões (79-80).

Tudo começou a mudar a partir de 1992, quando a Copa dos Campeões virou Liga dos Campeões. E foi inchando. Foi incluindo os segundos colocados, os terceiros….

Hoje Espanha, Inglaterra e Itália tem quatro vagas para o torneio. Tudo baseado em um “coeficiente”, que nada mais é que um ranking de desempenho dos clubes. Ranking esse que, a partir da próxima temporada, classificará a Alemanha como terceira colocada, passando a Itália. Junte as peças e deduza que, a partir da Liga dos Campeões de 2012-2013 a Alemanha terá 4 vagas para o torneio e a Itália apenas 3.

Hoje a Liga dos Campeões conta com 76 equipes. Os países na rabeira do tal ranking tem seus campeões nacionais jogando contra outros campeões nacionais em fases eliminatórias.

Para incrementar a fórmula, desde a temporada passada, as equipes passaram a ser ainda mais divididas. Os terceiros e quartos colocados dos países melhor rankeados passaram a ter um playoff próprio, contra outros “não campeões” de países menores. Os times menores, mas campeões nacionais, que vem se degladiando já por 3 eliminatórias, jogam contra outros times menores. Meio confuso.

A intenção é a seguinte: deixar menos “3ºs” e “4ºs” colocados dos melhores países e classificar mais equipes pequenas, mas que podem ter sido campeãs nacionais. Por exemplo,essa temporada tivemos Werder e Sevilla (não campeões) e Partizan e Anderlecht (campeões) na quarta eliminatória.

O fato é que esse inchaço na Liga dos Campeões tem gerado uma coisa desagradável: a Liga é chata até começar o mata mata. Chata mesmo. Com 32 equipes na fase de grupos, é raro termos confrontos interessantes. A maior parte dos jogos é estilo Panathinaikos x Rubin Kazan, Cluj x Basel e Zilina x Spartak. Os grandes sortudos jogam contra equipes pequeninas. Os grandes sem sorte, se tiverem muito azar, correm o risco de enfrentar outros grandes de sua estatura (Real e Milan).

É uma overdose de clubes pequenos jogando a fase de grupos. O que pode ocasionar jogos de mata mata de nível meio duvidoso. Estilo Schalke e Valencia. Vale a pena por que é mata mata.

Se o formato ainda fosse só mata mata, como antigamente, ainda ia. O problema é que os confrontos que citei acima ocorrem duas vezes numa fase de grupos. E acrescente a maioria dos grupos um terceiro time pequeno. É um desperdício de tempo, não?

Se a Liga é dos Campeões, que fossem apenas campeões, no máximo segundos colocados dos melhores países. Teríamos jogos chatos sim, haveria a probabilidade de uma final Porto x AZ Alkmaar, mas pelo menos eles seriam os melhores de seus países. Haveria, desde cedo, a emoção do mata mata, jogos valendo classificação.

E, para não esquecer da Libertas, o mesmo ocorre com ela. A diferença é que na América do Sul são apenas 10 países + o México disputando o torneio. Temos “apenas” 38 times disputando o torneio. A fase eliminatória é ridícula. Esse ano ela ganhou destaque por causa da eliminação do Corinthians, mas, exceto pelo Grêmio, você sabe outro confronto que ocorreu nessa fase? Foram 6 jogos, 12 times portanto.

E a fase de grupos é ainda mais desinteressante que a da Liga dos Campeões.

A Venezuela por exemplo tem 3 vagas no torneio (!). Aliás, exceto Brasil e Argentina todos os outros países tem 3 vagas. E esse ano, por ter o atual campeão, temos 6(!!!!) brasileiros disputando o torneio.

Há grupos com equipes de gosto realmente duvidoso, como o grupo de Grêmio. E o grupo 1 é uma piada (Libertad, San Martin, Once Caldas e San Luis).

Diferente da Liga dos Campeões, a Libertas só começa nas quartas de final. É muito difícil uma equipe “qualificada para o título” ser eliminada antes disso. A única chance é um improvável confronto nas oitavas. Com grupos fracos, (raros são os casos de dois bons times no mesmo grupo), os melhores não se enfrentam nas oitavas, que é no sistema melhor contra pior.

Enfim, a Liga dos Campeões e a Libertas estão inchadas. A vontade de dar uma chance a equipes menores, desenvolver o futebol de países menos tradicionais e a necessidade latente por grana e transmissões na televisão fizeram com que esses torneios ficassem grandes demais.

Não estou dizendo que a Liga ou a Libertas são porcarias. Mas que demoram pra empolgar, isso é verdade.

2 thoughts on “Libertas e Champions League

  1. Hahaha! Muito bom, meu caro! A verdade é essa mesmo que você citou. O dinheiro fala mais alto do que o futebol e temos essas joças ai que vão a passeio para a Libertadores. Mas em questão de mercado é bom levar mais clubes de países “menores” porque é um outro mercado a ser explorado. Tem clubes que vão a passeio para lá, mas se você parar para pensar, a LDU a uns 3 ou 4 anos era considerada um desses clubes a toa e hoje é um dos gigantes sulamericanos. Não estou defendendo, concordo com vc no quesito “inchaço” mas acho que a Liga dos Campeões consegue ainda manter um nível melhor, com os eliminados indo para a Liga da Europa. Não sei, mas acho interessante isso e não vejo a Comebol pensar em alterar o calendário da Libertadores e da Sul-Americana para ficarem juntas e tirar aqueles clubes “babas” que jogam as duas!

    Abração!

    http://levapramaternidade.blogspot.com/

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