Não é guerra


O futebol não é guerra. Jogadores não são guerreiros.

As cenas de selvageria que foram exaustivamente mostradas ontem só provam que esses bandos de torcedores deveriam ser banidos dos estádios.

Quer dizer que esses indivíduos, que se dizem torcedores, se acham agora no direito de “transformar a vida de outros em um inferno”?

Quer dizer que eles se acham no direito de destruir o patrimônio alheio porque o time para o qual “torcem” perdeu e foi eliminado de um torneio?

Quem os deu o direito de escolher culpados? De afirmar que X é mais culpado que Y?

Esse fanatismo cego, alimentado por parte da imprensa, sensacionalista e inconsequente, que valoriza e exalta indivíduos fanáticos, que vivem por seus times, colocando suas próprias famílias em segundo plano para poder acompanhar seu time (seja ele qual for), leva a extremos como os vistos após a eliminação do Corinthians na Libertadores.

Os verdadeiros torcedores corinthianos estão machucados, magoados e tristes. Alguns estão indignados com a atuação de um ou outro jogador, não concordam com as substituições de Tite, as contratações de Andres Sanchez, mas sabem que isso é apenas um esporte. A tristeza pela eliminação passa.

Já os indivíduos organizados, que entoam cânticos de guerra e violência e que acham que o futebol é guerra, não podem ser chamados de torcedores. São doentes mentais.

Torcedores não atiram pedras. Torcedores não enfrentam a polícia. Torcedores não fazem ameaças. Torcedores não depredam ônibus.

Quem tem tais atitudes é marginal, bandido.

Toda vez que há um caso de violência como esse, me vem a cabeça aquela batalha campal no Pacaembu, numa final de Copa SP entre Palmeiras e São Paulo. Aquelas cenas me marcaram, eu tinha apenas 6 anos de idade. Hoje já testemunhei, como torcedor, cenas de vandalismo em jogos do Atlético. Organizados brigando contra torcedores, brigando entre si, depredando ônibus.

Esses indivíduos raramente vestem as camisas de seus times. Estão sempre com as camisas de seus bandos.

Não existe nenhum tipo de fanatismo bom, seja no futebol, seja político, religioso, amoroso. O fanatismo cega.

É impossível eliminar toda a violência dos estádios, afinal, não é possível eliminar a violência da sociedade. Mas precisamos, rapidamente, extirpar esses indivíduos dos estádios. O que as nossas autoridades estão esperando? Quantas mortes mais? Algum jogador ser assassinado? Ocorrer uma carnificina? Virarmos o novo país dos hooligans?

2 thoughts on “Não é guerra

  1. Claro que o vandalismo de gangues travestidas de torcida são uma coisa vergonhosa e merecedora de punições urgentes.
    Não vou endossar qualquer ato de violência. Mas é até compreensível o choro e sofrimento de um torcedor mais exaltado num momento de frustração. Até porque o time é sua representação em campo. A derrota não é do jogador A ou B, é dele.

    Mas o complicado é ver um “comentarista”, no conforto do ar condicionado e na poltrona do estúdio de TV, ao ser confrontado com uma controvérsia ou alvo de brincadeiras esportivas, tomar isso como ofensa, espumar de raiva e ficar com as veias saltadas. Se esses supostos formadores de opinião perdem o controle por tão pouco… imagina o torcedor que tem o futebol como válvula de escape. Não que justifique, mas é só pra refletir um pouco.

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