Imparcialidade


Imparcialidade

Imparcialidade é a qualidade de quem é imparcial. E imparcial é:

adj. Que não sacrifica a justiça ou a verdade a considerações particulares.
Que não tem partido a favor nem contra

A imprensa esportiva brasileira diz ser imparcial. Na teoria não há favorecimento com aqueles clubes localizados na mesma cidade ou estado do veículo de comunicação, seja ele qual for.

Mas não é preciso ser um gênio para perceber que isso não é verdade. A Rede Globo puxa a sardinha para os clubes cariocas. A Band puxa para os paulistas. E na ausência de uma rede de televisão a nível nacional de outro estado, o eixo Rio-São Paulo domina os noticiários esportivos tupiniquins.

Essa polarização no “eixo do mal” (idéia que abomino), como dizem alguns mais exaltados, fez com que a torcida dos 8 grandes clubes desses dois estados crescesse e se tornasse nacional. Não tenho nada contra nenhum deles!

O que me incomoda é ouvir e ver o discurso teórico que os veículos de comunicação adotam não se realizar na prática. Ou vai me dizer que algum narrador da Globo grita gol na mesma intensidade para o Flamengo e Cruzeiro? Que Luciano do Valle berra e exalta da mesma maneira o Corinthians e o Grêmio?

Excessão Exceção a essa regra é quando o clube fora do tal eixo “representa o Brasil”. A babação de ovo enjoa rapidamente, os narradores e comentaristas exaltam o clube, qualquer que seja, de tal maneira que eu passo a torcer para o adversário. A conversa de “é o Brasil em campo” não cola comigo.

Outra coisa que está ficando exagerada é a participação de “comentaristas-torcedores”. Principalmente em canais menores (Band,RedeTV e afins). É um corinthianismo exagerado, um carioquismo irritante (não é Sandro Gama?) que até me deixa um pouco simpático com quem diz “eixo do mal”.

A verdade é que eu sou contra essa coisa de imparcialidade. Na Itália por exemplo, há narradores e comentaristas específicos para cada grande clube. A Juventus tem seu narrador e comentarista, assim como o Milan e por aí vai. Se você vê aquele cara na televisão, você sabe que ele é um milanista ou um juventino.

Acho que aqui as coisas deveriam ser mais claras nesse sentido. A ausência de mais grandes redes de televisão a nível nacional faz com que ou você assista a um jogo de um clube carioca ou de um paulista a cada rodada do Brasileiro. Com raras excessões (garanto aqui em MG), o jogo do clube do estado, que esteja jogando fora em determinada rodada é transmitido. E, claro, que há uma puxação de saco. Ou seja, a cada rodada o grande público tem mais uma dose de puxa-saquismo para equipes cariocas ou paulistas. Não é a toa que o sucesso de clubes desses dois estados alavancam muito mais torcedores do que o sucesso de clubes de outros estados.

No fim é isso: acho que a ausência de grandes redes nacionais de outros estados acaba criando essa idéia de eixo Rio-São Paulo. Seria legal se houvesse uma grande rede baiana, gaúcha, mineira e por aí vai. Você poderia escolher qual puxa-saquismo mais te agrada…🙂

Para não ser vítima do meu próprio post: torço para o Atlético-MG, Juventus e Liverpool. No basquete sou San Antonio Spurs.

Nada que me impeça de ser imparcial. Ou impede?😉

5 thoughts on “Imparcialidade

  1. Já falei muito disso na minha coluna. No caso das grandes redes não vejo muita soução. O “torcedorismo” é patrocinado pela direção das emissoras. Elas desejam aquilo lá.
    Mas eu acho mais digno o que acontece, por exemplo, no seu Estado. A Alterosa tem seu programa da hora do almoço. E cada “torcedor/comentarista” defende claramente o seu clube. É muito mais honesto do que a falsa imparcialidade da Band, Rede TV , Gazeta e demais.

    • Esqueci de citar o Alterosa Esporte. De vez em quando(bem de vez em quando) eles transmitem algumas partidas, amistosos, jogos-treino de Atlético, América e Cruzeiro. E as transmissões são exatamente do mesmo jeito do programa, cada um exaltando seu time, zoando o adversário. Queria ver isso em rede nacional, que bagunça seria….

  2. Engracado, por que so nos de fora do eixo e que percebemos o quanto sao parciais? Por outro lado, e inegavel que a forca proporcionada por tao grandes e poderosos canais de tv e outras midias, exerca influencia decisiva nas opinioes e ideario do restante do Brasil. Se isto e uma coisa ate certo ponto inevitavel, nao serve de desculpa a eles alegarem: 1 – que os veiculos sao de nivel nacional – porque, na verdade, agem como locais; 2 – que e mais facil fazerem um programa com os locais do que deslocarem pessoal para cobrir outros – já que, no mundo globalizado, fazer tomadas de qualquer parte do pais e simples para estes gigantes. Assim, suas “segundas intencoes”, suas “imparcialidades” ficam bem evidentes. Tambem nos, o restante do pais, temos nossas culpas ao copiarmos seus modelos e opinioes. Mas tudo isto já vem de muito atras. Desde o famoso “Canal 100” apresentado nas telinhas espalhadas pelo Brasil, já se cometiam estas mesmas “imparcialidades”. Não a toa, como comentaste, os chamados “grandes” do eixo possuem mais torcedores espalhados pelo pais. Influencia decisiva e “imparcial” destas midias. Isto levou, com o passar do tempo, a outras “imparcialidades” que, a bem da verdade nos envergonham, por atingir o fim especifico. Vejamos: A pouco foi homologada a unificacao dos titulos de antigos torneios. A Taca Brasil, agora com status de Campeonato Brasileiro, foi uma das mais parciais e bairristas competicoes já realizadas no Brasil. Alegam, para mascarar o bairrismo, que incluiu-se outros clubes “imparcialmente”. Ora, a questao não esta na inclusao e sim, na esdruxula forma como foram incluidos. Se não bastasse, voces ai de minas foram vitimas de uma das mais vergonhosas “imparcialidades” do futebol brasileiro (alem da Taca Brasil). As Copas Regionais foram regionais ate parar no Sudeste. Ai disputou-se a Rio-Sao Paulo. Os clubes de Minas e Espirito Santo foram jogados na Copa Centro Oeste e, logo depois criaram a “ponte aerea da imparcialidade”, criando a Copa Sul-Minas. Portanto, mais grave do que ter midias poderosas e influentes e rogar-se, por este poder, o direito de fazer com o resto do Brasil, ate nos fins especificos, o que bem entender, manipular a seu bel prazer. Ai, meu amigo, so “A Queda da Bastilha” para dar um jeito.

    Falou tudo!

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