Liebe ist für alle da


Acabou-se o que era doce. Terminou a Copa 2014 e, falando por mim que já assisti a 5 Copas do Mundo, essa foi mesmo (quanta ironia) a Copa das Copas. Gols, emoção, futebol quase sempre bom de se ver, grande atmosfera, grandes gols e grandes jogadores, goleada massacrante e histórica e um vencedor mais que justo. Juntei alguns pontos positivos e negativos não relacionados ao desempenho em campo:

Ale campea POSITIVOS

A “emoção” do hino: belas demonstrações especialmente nos hinos sulamericanos, cantados a capela ou cantarolados, no caso do Argentino. (Apesar dos hinos sulamericanos serem um destaque, para mim nada consegue superar esse aqui)

Tecnologia: finalmente o uso da tecnologia a favor do futebol. Foi pouco se analisarmos o quanto pode ser incorporado, mas já é um começo. O único gol que gerou dúvidas durante toda a copa foi aquele da França na 1ª fase. Pelo menos em competições grandes não teremos mais marcações bizarras como aquela da Alemanha contra a Inglaterra em 2010.

Spray: não considero o acessório como tecnologia. Foi bem vê-lo incorporado ao cotidiano do mundo do futebol.

Gols: depois de termos uma campeã com o pior ataque da história tivemos gols de sobra nesse torneio. Um alívio pra quem esperava jogos retrancados, seleções jogando somente em contra ataques e muitos 0x0.

Belos estádios e atmosfera: eu sei que eles custaram muito mais que o previsto e que boa parte se tornarão elefantes brancos a partir de agora, mas não podemos negar que, com uma ou outra exceção, os estádios ficaram lindos. E a atmosfera na maior parte dos jogos foi sensacional, sem aquelas terríveis vuvuzelas ou caxirolas.

Alemanha: em todos os sentidos, não só dentro de campo. Pode-se dizer que a Alemanha foi o time mais envolto na Copa em todos os sentidos. Não se trancou numa redoma de ego e antipatia como outras seleções, pelo contrário, viveu o Brasil como nem mesmo o Brasil viveu. Merecidos campeões em tudo.

 NEGATIVOS

A “emoção” do hino e o marquetingue furado da seleção: sim, o hino a capela é destaque positivo mas a emoção exagerada dada ao nosso símbolo pelos jogadores dentro de campo foi digna de pena. O choro, a entrada de mãos nas costas dos outros, a camisa do Neymar no jogo contra a Alemanha, as frases feitas e jogadas de marketing que permearam a Seleção e principalmente os nossos principais jogadores são dignas de nojo. Dani Alves, DLuiz, TSilva e Neymar são os campeões no quesito falsidade.

A falta de repertório da nossa torcida: O tal “brasileiro com muito orgulho e muito amor” reinou absoluto apesar de tentativas de que a nossa torcida variasse os seus cânticos durante o torneio. Nem “Brasil, Brasil” foi mais entoado do que esse melô chato. Apenas uma constatação de que a maior parte da torcida que acompanhou a copa nos estádios, especialmente nos jogos do Brasil, pouco acompanha ou entende de futebol nesse intervalo de 4 anos entre copas.

O lenga lenga dos árbitros: algo que me irritou profundamente. Sempre o árbitro, sem nenhuma exceção, dava uma dura pelo agarra agarra na área antes da cobrança de faltas ou escanteios mas nunca marcaram nada. Era só pra inglês ver mesmo.

Mordida: a mordida é destaque negativo tanto quanto a punição. Suarez ainda me consegue uma transferência gigantesca depois de ser queimado vivo pela imprensa (especialmente inglesa). Se ele vai encaixar no time do garoto-propaganda-de-tudo Neymar e do apático e genial Messi só saberemos após outubro.

Repórteres-musas: surgiu um sem igual de “repórteres” musas ou candidatas a musas, todas na tentativa, sem sucesso, de emplacar uma nova Larissa Riquelme. Não há problemas em elegermos musas, eu mesmo farei isso a seguir, mas o problema é que a vasta maioria dessas moçoilas NÃO são repórteres de formação. Dava pra serem só musas. Não precisava de serem “repórteres”. Por aqui tentaram enfiar uma repórter de verdade como musa mas não deu certo. Porque a referida não é nem uma excelente repórter e muito menos musa.

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Mais jovem a marcar em final de Copa desde 1966. E o primeiro reserva a ter essa honra.

E se…….

Ribery e Strootman não estivessem lesionados? Me pergunto isso pois ambas seleções ficaram devendo no momento decisivo e não podemos deixar de lembrar que os dois jogadores são cruciais para ambas equipes. Mas não vou me alongar no “E se”, porque senão ficarei aqui a tarde toda.

Cristiano Ronaldo mais uma vez se viu com problemas físicos e não conseguiu ajudar Portugal como era esperado. Deve ser frustrante ser um jogador tão bom tecnicamente mas se ver cercado de companheiros de qualidade dúbia quando o assunto é a sua seleção nacional. Muita gente questiona o fato de Messi ainda não ter uma Copa, podem ter certeza que o fato de Cronaldo provavelmente terminar sua carreira sem nenhum título importante a nível de seleções será algo que o perseguirá mais do que Messi.

 

Meu time: Neuer (ALE), Lahm (ALE), Mascherano (ARG), Hummels (ALE), Schweinsteiger (ALE), Kroos (ALE), James (COL), Messi (ARG), Robben (HOL), Mueller (ALE). Low (ALE).

Menções honrosas a: Navas (CRC), Garay (ARG), Blind (HOL), Benzema (FRA), Cuadrado (COL)

Melhor jogador: Robben Melhor Jovem: Pogba

musas copa

 

Curtas


Liga dos Campeões

Como um jornal espanhol (alemão?) ironizou, a Bundesliga meteu 8 x 1 na poderosa La Liga. Pelo segundo ano consecutivo Barça e Real chegam as semi finais, criam toda uma expectativa de que poderiam se enfrentar numa épica final e podem ficar no meio do caminho a ver navios.

O Barcelona foi uma nulidade contra o Bayern. Se o time é tão bom, qual a necessidade de por um Messi completamente sem ritmo em campo? Não seria o melhor time do mundo capaz de suprir a ausência dele?

As goleadas deixaram os alemães muito próximos de uma final inédita apenas com times da República de Weimar. O Borussia, que está a beira de um desmanche, pode coroar a sua dominância na Bundesliga com o tão sonhado bi europeu, sabendo que a chance de voltar ao topo da Europa é agora ou nunca.

E o Bayern, grande favorito ao título, pode deixar o “melhor técnico do mundo” numa situação incômoda. Guardiola pode chegar ao clube alemão tendo que manter a condição bávara de campeão da Liga, Copa e Europeu.

É esperar pra ver.

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Seleção

Time desentrosado, emendado, com jogadores de qualidade duvidosa dos dois lados.

Fora a torcida mais chata do Brasil. É simplesmente ridículo ouvir vaias a um jogador porque ele joga no time rival. É tosco isso, algo infantil, que beira o retardamento. Tão idiota e provinciano que o áudio da Globo foi bruscamente reduzido após 5 minutos de jogo.

Gosto do Felipão. Afinal tinha só 13 anos quando o Brasil foi campeão do mundo e tenho simpatia pelo gaúcho. Mas, convenhamos, Felipão está atrasado.

É como se ele tivesse parado no tempo. Lá em 2002. Ainda tentando empregar métodos, táticas daquela época. Parece pouco tempo, mas o futebol evoluiu assustadoramente desde então. E me parece que ele ficou para trás. Preso em Yokohama.

Aliás, o futebol brasileiro parece estar preso dentro dos vestiários de Yokohama até hoje. Como muito bem analisou Paul Breitner em entrevista recente a ESPN, o futebol brasileiro parece parado no tempo, se vangloriando de seus 5 títulos e achando que aquelas 5 estrelinhas vão, por si só, impor respeito aos adversários.

Usamos conceitos arcaicos, taticamente e administrativamente. A seleção perdeu a sua identidade dentro do próprio Brasil. A geração pós 2002 e pré 2014, que deveria ser a base dessa seleção não se firmou. Muitos se perderam nos louros das vitórias de 2002 e posteriores até a campanha de 2006.

Se Felipão tem dúvidas em escalar a seleção hoje é porque Kaká, Ronaldinho e Adriano seriam os atuais líderes dessa seleção, caso vivêssemos num mundo perfeito. Ronaldinho nunca jogou o que sabe na seleção, Adriano se perdeu no meio do caminho e Kaka sofreu com contusões que minaram seu futebol inteligente e atlético.

Depender de Neymar para ser o grande jogador da seleção é covardia. Ele é jovem, ainda iludido com a fama e não tem experiência nem mesmo de vida para liderar nem mesmo um grupo de crianças sem ajuda de alguém.

Se o Brasil quiser ter chances de vencer a Copa do Mundo é melhor começar a rezar por um milagre.

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Neymar

Ele realmente não está nem ai. Embolsando no mínimo uns 2 milhões por mês, fazendo showzinho contra a Catanduvense, pegando todas as Neymarzetes….

Me digam em sã consciência por qual motivo o monstrengo estaria se importando com o tenebroso estado do futebol brasileiro? Ou com o fato de que ele recentemente só mostra o que sabe contra clubes terrivelmente ruins?

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Copa

Um certo Gavião Bueno rasgou elogios a organização do amistoso e ao Novo Mineirão.

Pois me pergunto o quanto ele recebeu para dizer tanta patotada em rede nacional.

É simples demais isolar um estádio encravado numa zona altamente urbanizada e falar que ali, dentro do isolamento, as coisas são “como de primeiro mundo”. Aí fica fácil!

Vamos criar nossas crianças numa redoma de vidro, isoladas e protegidas de tudo, para que jamais peguem gripe, dengue e etc. Essa deve ser a solução.

A tal mobilidade urbana, em BH e em TODAS as sedes da Copa beiram o ridículo.

O trânsito ficou uma bagunça. Pra quem ia ao jogo estava realmente excelente! Para quem não tinha nada a ver com a pelada, uma desgraça!

Não temos condições hoje de prover um sistema de transporte público para nenhum dos estádios da Copa, em nenhuma sede.

Mais: é fácil colocar no tal caderno de encargos que vai se fazer isso, aquilo e aquilo mais e depois simplesmente excluir tal encargo do caderno. (Pode isso produção?) Sinceramente, que compromisso é esse? Em BH VÁRIAS das obras previstas para a Copa foram convenientemente excluídas porque simplesmente nunca sairiam do papel mesmo.

Mas quem liga? Na Copa vai ser feriado mesmo! Pelo menos aqui em Minas o governador PSDBista já colocou as datas dos jogos da Copa das Confederações como ponto facultativo em repartições públicas e feriado para as escolas.

Isso para assistir Taiti e Nigéria.

Olimpíadas

As Olimpíadas vão no mesmo caminho, direto ao ralo.O tal campo de golfe realmente será construído. Mais um legado importante para a cidade do RJ e o país como um todo.

http://esportes.terra.com.br/comite-anuncia-emissao-de-licencas-para-construcao-de-campo-de-golfe-para-2016,699a8a2ee314e310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Consolação

Que me perdoem os agraciados com mais essa bolsa, mas pra mim não tem o mínimo sentido dar dinheiro para quem nada fez por esse país.

Chega a ser curioso o fato de ver que a maioria dos campeões do mundo de 1974 pela Alemanha trabalham hoje como diretores, gerentes, olheiros dos clubes alemães, enquanto a maioria dos nossos campeões fazem bicos de projeto de comentaristas ou caíram no ostracismo.

http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2013/04/ministro-anuncia-premio-e-aposentadoria-campeoes-mundiais.html

Estaduais, sempre eles


 Depois de muita discussão sobre sua real importância, a prioridade ou não que as equipes grandes deram aos jogos (ou mesmo ao campeonato como um todo), cabeças de técnicos rolando adoidado, os torneios de pré-temporada, conhecidos como Campeonatos Estaduais, estão chegando ao fim.

E talvez esse ano tenha servido para o grande público e a imprensa perceberem que, da maneira como são disputados, não dá para continuar.

Muito se pode dizer sobre a importância dos torneios para as equipes pequenas, para a torcida das cidades longe dos grandes centros e a favor da revelação de jogadores.

(Quase) Tudo isso cai por terra ao analisarmos o que aconteceu esse ano, e que tem sido tendência das últimas temporadas. E que é apenas consequência da perda de importância dos campeonatos estaduais ao longo dos últimos 15 anos. Vou dividir o post em 3 partes e explicar separadamente os motivos que me levam a crer que, se quisermos a evolução dos nossos clubes, temos que urgentemente repensar o nosso calendário.

A perda de importância dos Estaduais

É notório que até os anos 50 o campeão estadual era o time mais poderoso da galáxia,numa época em que a dimensão de “galáxia” era, muitas vezes, limitada pela capital do estado, seja ele qual for.

Atlético 9 x 2 Palestra (ex-Yale, depois Ipiranga e Cruzeiro). Num tempo em que a noção de distância não ia muito aquém dos limites da sua cidade. Créditos para o Web Galo (http://webgalo.comze.com/)

Atlético 9 x 2 Palestra (ex-Yale, depois Ipiranga e Cruzeiro). Num tempo em que a noção de distância não ia muito aquém dos limites da sua cidade. Créditos para o Web Galo (http://webgalo.comze.com/)

Costumava dizer que o campeão paulista era o melhor time do Brasil. Geralmente era o clube que saía excursionando na temporada seguinte, fazendo amistosos, inaugurando estádios e alegrando torcidas através de jogos promovidos como verdadeiros acontecimentos sociais.

Com a criação da Taça Brasil começou-se a ter a noção de que clubes de estados menores poderiam competir com os paulistas. E, principalmente, criou-se o conceito de nação, de país, futebolisticamente falando. Numa época em que o rádio era o principal meio de comunicação, as fronteiras mentais dos brasileiros começaram a se expandir.

Os títulos do Santos na recém criada Libertadores pareciam que significariam uma internacionalização do futebol brasileiro, além da seleção. Ledo engano, uma vez que o Santos se recusou a participar do torneio, deficitário à época, para se concentrar no Paulista e principalmente nos rentáveis amistosos contra clubes brasileiros e estrangeiros.

E nos voltamos para nosso próprio umbigo de novo. Ou alguém ousa dizer que antes de 1992 os nossos clubes davam tanta importância a Libertadores? Apenas 3 títulos nesse período pós Santos e pré São Paulo provam que era aqui dentro que nossos grandes concentravam suas forças.

Nessa época inclusive, temos muitos casos de times valorizando o estadual ao invés do Brasileiro. E isso também não seria nenhuma aberração durante os anos 90. A bagunça do nosso calendário, que fazia com que os estaduais muitas vezes durassem o ano todo, competindo com o Brasileiro inchado e que também se estendia até o fim do ano ou até o ano seguinte, faziam com que os clubes tivessem que priorizar ou um ou outro.

O começo do fim foi dado quando passou-se a disputar o Brasileirão somente no segundo semestre. Com o primeiro semestre mais livre, a Copa do Brasil ganhou importância. A Libertadores idem. E os estaduais ficaram meio perdidos. Ainda mais enquanto houve o revival dos torneios regionais, como o Rio-São Paulo.

Desde, aproximadamente, 2000, começamos a ver campeonatos estaduais perdendo o interesse dos torcedores, dos próprios clubes e até mesmo dos jogadores, em detrimento a torneios financeiramente mais rentáveis.

E o advento da internet e da facilitação e difusão dos meios de comunicação em massa trazendo informações quase que instantâneas causou outro fenômeno: as fronteiras mentais de todos se expandiram. Agora estamos a um clique de saber como anda o campeonato Russo, Holandês ou Japonês.

E quando acontece essa expansão no consciente passamos a desvalorizar aquilo que aparentemente não deve ser tão emocionante/rentável/agradável.

Qual o grande interesse em assistir a um jogo contra o Boa Esporte? Qual a qualidade técnica dessa partida? É compatível com o preço que pagarei para ir ao estádio?

Passa-se a atenção aos torneios que nos aparentam ser mais importantes. Vencer uma Copa do Brasil ou mesmo uma Copa do Nordeste está bem acima de ser campeão estadual.

Aí a torcida passa a não comparecer. E os jogadores começam a tirar o pé. E a diretoria passa a pedir pra escalar o time B, C, Júnior…..

Estão matando os clubes pequenos. E estrangulando os grandes.

A visão dos pequenos

Essa história de que é a salvação dos pequenos jogar contra os grandes é ilusão. Tem lá a sua razão quando se pensa em retorno financeiro por uma partida. Mas isso quando o pequeno dá a sorte de jogar em casa o confronto contra o grande. Ou, no caso de alguns torneios, SE ele vai jogar em casa alguma partida.

O fator “sucesso” de um clube pequeno está muito mais ligado a força econômica da cidade/região onde está do que ao campeonato estadual ou a quantidade de grandes que ele enfrenta.

 Um simples argumento, a quantidade de pequenos que levantaram os estaduais:

 – considere os 4 estaduais mais “fortes”: SP, RJ, RS e MG.

– em SP o último pequeno campeão foi o São Caetano em 2004. No RJ foi o Bangu em 1966. Em MG o Ipatinga em 2005. E no RS o Caxias em 2000.

Ou seja, mesmo não usando suas principais forças, é raríssimo um clube pequeno vencer um estadual. O que significa que não adianta jogar 4 jogos contra Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. O máximo que vai conseguir é uma renda extra, que servirá para pagar os salários dos atletas que disputaram aquele campeonato.

A falta de continuidade da maioria dos clubes acaba matando os pequenos. Muitos só “existem” durante os estaduais. Muitos fazem acordos com empresários para disputar as famigeradas e deficitárias “Copas estaduais”.

Sem público, sem publicidade, o que se vê são clubes que se tornaram espectros. São sazonais, servindo de vitrine para empresários venderem jogadores a clubes médios e clubes estrangeiros de mercados alternativos.

A maioria dos pequenos paga para entrar em campo. As cotas de TV são desumanamente divididas, com os tais grandes levando milhões enquanto clubes menores levam 500, 400 mil para participar de um estadual. Os públicos são ínfimos até mesmo contra muitos dos grandes.

Esses pequenos tem que arcar com salários, despesas de manutenção de estádios, aluguel dos mesmos, despesas de viagens e etc.

É aí que vemos porque os clubes menores de São Paulo costumam experimentar mais sucesso que os pequenos de outros estados. O poder econômico das cidades médias paulistas costuma ultrapassar o de muitas capitais espalhadas pelo Brasil. É mais fácil conseguir patrocínios. Até mesmo as prefeituras dessas cidades costumam, por vezes, financiar esses times. Afinal, um clube disputando uma Série B ou mesmo uma Série A gera retorno para a cidade. Vide Ipatinga, exemplo de clube que enquanto foi financiado pela prefeitura experimentou relativo sucesso. Hoje, abandonado pela mesma, teve que buscar refúgio em Betim, outra cidade economicamente muito forte.

Mas mesmo assim não há continuidade. Veja os casos de Santo André e Paulista, campeões da Copa do Brasil em anos consecutivos. O Paulista jamais conseguiu o acesso a Série A, mesmo com um time aceitável. O Santo André conseguiu mas falhou no Paulista.

Raros são os clubes do Sul/Sudeste que atraem públicos consideráveis. Essa relação é mais íntima no Norte/Nordeste, lugares em que a falta de bons espetáculos futebolísticos aproximam os torcedores de clubes de suas cidades.

Raros são os clubes do Sul/Sudeste que atraem públicos consideráveis. Essa relação é mais íntima no Norte/Nordeste, lugares em que a falta de bons espetáculos futebolísticos aproximam os torcedores de clubes de suas cidades.

Chegamos ao ponto de termos pequenos na Série A e na Segunda Divisão estadual. Como a rebaixada Portuguesa ano passado ou mesmo o Ipatinga. É uma questão de prioridade. É possível arcar com uma queda estadual tendo em vista uma boa participação na Copa do Brasil ou uma promoção para a Série A.

A visão dos grandes

 O retorno em termos de patrocínio é pequeno. A verba de TV não passa perto das distribuídas nos campeonatos nacionais. O público não tem grande interesse em ir aos jogos.

Essa tríade gera um dilema para os grandes. A maioria dos dirigentes, com rabo preso com presidentes de federações, tem que por times em campo para jogar torneios deficitários, com risco de lesionar jogadores, perder dinheiro e em detrimento de uma pré temporada (que não existe).

E mais: o congestionamento de datas faz com que nossos clubes não consigam mais jogar torneios ou amistosos fora do país.

Estádios vazios, clubes com prejuízos. Há que se pensar urgentemente numa saída para um melhor aproveitamento do calendário.

Estádios vazios, clubes com prejuízos. Há que se pensar urgentemente numa saída para um melhor aproveitamento do calendário.

Fora o fato de que se o grande não vai bem logo o treinador é demitido. E nem precisa estar indo mal, pode ser simplesmente a derrota em um clássico o motivo para uma demissão. Aí tem que começar um novo planejamento, contratar novos jogadores, iniciar todo um trabalho que poderia já estar avançado.

O racha entre clubes e federações já começa a ter efeito. No Paraná os dirigentes do Atlético claramente desafiaram a federação ao estabelecer que o time principal só estrearia em abril na Copa do Brasil. O clube do Paraná fez pré temporada até a ultima quarta feira.

E é por lá que as conversas de uma nova edição da Sul Minas ganham força. E assim como no Nordeste, é provável que os clubes optem por não disputar os estaduais enquanto estiverem disputando o torneio regional.

É uma questão de exposição na mídia, de retorno de patrocínios, de aumento de público. Futebol é um negócio.

De que vale abater um Belo Jardim da vida e perder um clássico contra o Santa Cruz? Não é rentável ter 540 pagantes num jogo do Vasco em São Januário, com uma renda de 10 mil reais que não paga nem a despesa dos refletores.

Os grandes não se fortalecem enfrentando clubes pequenos. Muito menos os pequenos crescem. Não é uma relação “quanto mais jogos contra grandes, maior eu me tornarei”. Ainda mais se esse grande estiver com a cabeça numa Libertadores.

O futuro: a volta dos regionais?

Sempre fui defensor da extinção dos estaduais para dar mais espaço a pré-temporada. A Copa do Brasil alongada, dando chance aos times da Libertadores participarem do torneio foi uma boa medida.

Na minha concepção os estaduais se tornariam apenas mais um nível da nossa pirâmide do futebol. É algo simples, adotado no mundo todo. Teríamos nossas 2 divisões nacionais como hoje, a Série C como existe, talvez apenas com mais clubes, uma quarta divisão bem regional mesmo, também estendida. E então chegaríamos ao quinto nível, em que os clubes jogariam apenas contra clubes de seu mesmo estado.

E poderíamos ter as divisões inferiores dos respectivos estaduais como um sexto, sétimo nível. E claro, nem todos os estados teriam esses níveis da pirâmide.

Sampaio Correa campeão da Série D. E atraindo muito mais torcedores que clubes tradicionais e ditos de massa. O excesso de jogos tornou o futebol algo comum.

Sampaio Correa campeão da Série D. E atraindo muito mais torcedores que clubes tradicionais e ditos de massa. O excesso de jogos tornou o futebol algo comum em determinadas regiões. Em outras a carência de jogos é grande.

A relação é simples: para reduzir custos e dar a chance a um clube de sair da sétima divisão e aos poucos subir, é mais fácil fazê-lo jogar todo o ano, contra clubes de igual tamanho, do que jogar um torneio de 3 meses e ficar inativo boa parte do ano.

Essa inatividade inviabiliza que muitos clubes participem dos próprios estaduais. Houve uma redução brusca no número de clubes ativos no Brasil, com grande aumento de clubes em “stand-by”.

Mas acho que essa solução nunca será adotada. É difícil imaginar a federação mineira se abstendo de ter Atlético e Cruzeiro nos campeonatos por ela organizados, por exemplo.

Uma medida que provavelmente vai ser tomada dentro de uma ou duas temporadas é a volta dos regionais. Esse ano já tivemos a Copa do Nordeste. Provavelmente ano que vem teremos a volta do Sul Minas.

Financeiramente é mais interessante pela abrangência do torneio. O público também poderia se interessar mais por ter mais jogos competitivos, entre grandes clubes.

Mas eu torço o nariz. Por exemplo, juntando Grêmio e Inter, Atlético e Coritiba, Atlético e Cruzeiro, temos apenas 6 grandes num torneio que teria que incluir, no mínimo, 14 ou 16 participantes. Aí entra o fator política, que muitas vezes qualifica clubes inexpressivos para esses torneios.

Um dos cabeças da volta do Sul-Minas, por exemplo, é o J.Malucelli, clube de Joel Malucelli, empresário paranaense.

Fora o fato de que, obviamente, assim como na Copa do Nordeste desse ano, os clubes grandes continuam disputando os estaduais. Ou seja, o congestionamento de datas continua e a pré-temporada continua não existindo.

Não é possível conciliar estaduais e regionais num mesmo calendário mais. Ainda mais com a Copa do Brasil alongada e o Brasileirão começando em maio/junho.

As cenas dos próximos capítulos nós iremos acompanhar em breve.

Mas o que esperar de uma Confederação em que um paspalho como o Marin é presidente da Confederação de Futebol?

Para ir além:

http://globoesporte.globo.com/platb/torcedor-botafogo/2013/01/18/a-formula-do-fracasso/

http://globoesporte.globo.com/platb/olharcronicoesportivo/2013/02/25/o-calendario-e-a-morte-dos-clubes-pequenos/

Curtinhas


Esse blog ficou sem atualização por desleixo meu e por culpa da WordPress. Aliás, assim que tiver mais tempo vou trocar de servidor porque esse aqui já deu o que tinha que dar.

Hoje serão apenas notas curtas. Bem curtas:

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Futebol Vence

A final da Copa da Liga Inglesa, que terminou com 5×0 para o Swansea sobre o Bradford foi um relento para aqueles amantes do futebol simples, apaixonado, quase amador.

Não que os times sejam brilhantes. Mas, diferentemente da maioria dos participantes do torneio, sempre quiseram vencer. Se não o título (algo improvável da perspectiva de um time de 4ª divisão), eles entraram, jogo a jogo, com aquela vontade de avançar, de sonhar com algo melhor.

Prêmio para o Swansea, que há exatas 10 temporadas se salvou do rebaixamento para a quinta divisão para se tornar hoje um time estabelecido na Premier League.

Prêmio para o Bradford, time que tem na 4ª divisão uma média de público de mais de 10 mil torcedores por jogo, mesmo estando em concordata desde 2000.

E um tapa na cara do futebol burocrático, chato, insosso dos grandes e médios clubes mundiais de hoje.

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O clube tem que ser punido. A Confederação também

Acho que a punição por aquele tipo de incidente na Bolívia deve ser direcionada também ao clube. Os torcedores, a torcida organizada e o clube devem dividir a responsabilidade, ainda mais quando sabemos que os clubes brasileiros ajudam a financiar essas viagens de torcidas.

E pra mim aquele rapaz nada mais é do que um bode expiatório.

E também imputem responsabilidade ao San Jose pela segurança falha, a CONMEBOL pela organização tosca que sempre marca os torneios da entidade.

Falta do que fazer. E ainda arriscar uma punição maior para o seu próprio clube. Não tem preço!

Falta do que fazer. E ainda arriscar uma punição maior para o seu próprio clube. Não tem preço!

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Sobre Guardiola

Deveria ter ouvido os meus comentaristas experts e ter percebido que faltava o Barcelona vencer os grandes nessa temporada. Derrota para Milan e Real praticamente deixaram o clube com apenas a Liga Espanhola como título dessa temporada.

Se o fato de Tito Villanova não estar no comando influencia, não sei, mas o Barça me pareceu sem um plano B nessas duas partidas.

E imaginem o que o Guardiola pode pegar no Bayern em julho: um time que pode ser campeão alemão, da Copa e da Champions League.

Vida fácil o espanhol não vai ter não…

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Raposa

Fico abismado (hum…) com o nível baixo do tal canal Fox Sports.

Parece uma emissora de rádio. Gritaria, reportagens na chegada dos times ao estádio, narradores que berram mais que o Mário Henrique, comentaristas que repetem os lances que acabam de acontecer….

Isso fora o fato de ter que aguentar o jênio  Mario Sérgio dando lição de táticas e posicionamento. Paciência….